A colecção de Cerâmica inclui cerca de 7500 peças em faiança e porcelana de diversas origens e de diferentes fabricos europeus, nacionais e orientais. À origem conventual do acervo juntaram-se outros objectos vindos das colecções reais ou provenientes de legados e aquisições.

Cerâmica portuguesa
Um significativo núcleo de faiança branca ‘malegueira’, situado entre os séculos XVII e XIX, um vasto núcleo de faiança azul e branca de influência oriental que abrange o século XVII até inícios do século XVIII e inúmeros exemplares de múltiplos fabricos nacionais de faiança dos séculos XVIII e XIX constituem o expressivo acervo de faiança portuguesa.
À mancha branca onde se afirmam formas essenciais, segue-se a original interpretação portuguesa da gramática decorativa da China. Ainda em azul e branco, distinguem-se as peças de Viana do Castelo e da Real Fábrica do Rato, em Lisboa. Quando a policromia se instala, identificamos as produções dos séculos XVIII e XIX do norte do país – fábricas do Porto e de Vila Nova de Gaia –, do centro – Coimbra, Caldas da Rainha e Lisboa – e, caso isolado, a faiança de Estremoz.

Cerâmica europeia
A uma bacia e a um gomil, notáveis exemplares fabricados em Florença no século XVI que atestam a primeira tentativa europeia para obtenção da porcelana, universalmente conhecida por ‘porcelana dos Médicis’, junta-se um reduzido número de majólicas italianas da mesma centúria. Dos séculos XVII e XVIII o acervo integra faiança espanhola, italiana e holandesa, nomeadamente a delicada faiança de Delft que testemunha a vivacidade das relações comerciais estabelecidas com a Holanda.
Grupos circunstanciados de porcelana inglesa, francesa e alemã, do século XVIII, e portuguesa da Fábrica da Vista Alegre, do século XIX, completam o acervo europeu. Merece destaque o legado de Luís Fernandes que inclui cerca de 3000 xícaras.

Cerâmica oriental
A faiança islâmica do Levante da Península Ibérica até ao Médio Oriente e a porcelana do Extremo Oriente são os dois núcleos essenciais desta área da colecção.
O primeiro núcleo inclui um considerável conjunto de pratos dos séculos XV e XVI, fabrico de Manisses, e um número reduzido de painéis de azulejos da Turquia e taças da Pérsia.
O segundo núcleo integra a extensa colecção de porcelana da China que se expande, azul e branca, entre os séculos XVI e XVII e, polícroma e armoriada, no século XVIII, abrangendo a longa Dinastia Ming e a Dinastia Qing. São particularmente raras as peças quinhentistas de encomenda portuguesa de que o Pote dos Agostinhos é um notável exemplo.
De qualidade apreciável é, ainda, a porcelana do Japão do século XVII, que remata a produção extremo oriental da colecção.