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. Conhecida por “pote dos Agostinhos” devido à presença da insígnia da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho (OESA) –  águia bicéfala sobrepujada por coroa de cinco florões poisada sobre coração trespassado por duas setas –  na decoração de quatro painéis, esta peça tem suscitado inúmeros estudos, tanto nacionais como estrangeiros. Por ora, tais pesquisas são inconclusivas quanto ao mercado a que se destinavam este e outros  vasos com decoração semelhante bem como à data da sua execução.
 Alguns autores relacionaram tal insígnia com o brasão dos Habsburgos. Mas António Diez de Rivera veio esclarecer que a inclusão de tal emblema na insígnia dos Agostinhos ocorreu após a descoberta de uma imagem milagrosa do Menino Jesus de Cebu, em 1564, tendo Filipe II de Espanha (1556-1598) concedido o privilégio do seu uso aos agostinhos do Arquipélago das Filipinas, conquistado em 1565. Assim sendo, tais objectos terão, então, sido encomendados por agostinhos espanhóis.
 No entanto, a presença da Ordem Agostiniana em Portugal e no vasto império português no Oriente, bem como a inclusão da águia bicéfala coroada na decoração das colchas indo-portuguesas e nos bordados sino-portugueses dos séculos XVII e XVIII, aliada a outros elementos decorativos também utilizados nos potes – pavões, elefantes, cavalos, leões, motivos vegetalistas  –  parece  inviabilizar a certeza de uma atribuição aos agostinhos espanhóis. Acresce o facto de Filipe II, seu filho e seu neto terem detido a coroa de Espanha e de Portugal desde 1580 até 1640.
 Por outro lado, a inclusão de edifícios, que, para alguns autores, evocam as igrejas coloniais do México e o facto de se encontrarem vários exemplares similares naquele país, abre ainda a hipótese de tais potes terem sido destinados ao mercado mexicano. Fosse para agostinhos espanhóis ou portugueses, não é de excluir que a encomenda tenha sido feita por via portuguesa dada a vasta experiência demonstrada nesta matéria desde o primeiro quartel do século XVI.
 A data da encomenda continua, pois, a ser uma incógnita. Embora as características materiais, formais e decorativas situem a peça no final do século XVI, a ausência de documentação concreta relativa à sua encomenda torna difícil precisar a data da sua execução. Mesmo assim, António Diez de Rivera sugere como data possível cerca do ano de 1575, ano da primeira de várias viagens feitas pelos espanhóis à China.
 A iconografia da decoração, o mistério que envolve a data da sua execução e o mercado de destino, bem como o facto de integrar um grupo restrito de objectos de encomenda europeia à China, na centúria de Quinhentos são, em conclusão, os dados que fazem deste pote uma peça  de referência do acervo cerâmico do MNAA.