BACIA E GOMIL
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. Estas peças, provenientes das antigas colecções reais portuguesas, foram incorporadas no MNAA em 1936. São duas das cerca de 60 peças conhecidas em ‘Porcelana Médicis’ produzidas na época de Francesco I, entre cerca de 1575 e 1587, actualmente dispersas por importantes museus do mundo e colecções particulares.
A génese da porcelana Médicis reside no fascínio exercido pela porcelana chinesa sobre os grandes príncipes italianos, ávidos de obras raras e luxuosas. O seu prestígio levou o mundo, desde o Extremo-Oriente à Europa, a tentar encontrar o segredo do seu fabrico. Na Europa, um dos resultados mais próximos foi uma delicada variedade de ‘pasta tenra’ à base de argila branca e de silicato fusível, fabricada entre c. 1575 e c. 1587, sob o patrocínio de Francesco Maria de Médicis, Grão Duque da Toscana. Contudo, as opiniões acerca desta invenção não são unânimes: uns defendem que as primeiras tentativas ocorreram na época de Cosimo, pai de Francesco, outros afirmam que as primeiras experiências foram feitas por Orazio Fontana e Camillo de Urbino, com a ajuda de um artesão do Levante, talvez um persa, no tempo de Francesco.
As formas mais frequentes – pratos, gomis, vasos, garrafas de peregrino, bacias, frascos, potes e galheteiros –, reflectem a influência da tradição italiana, da majólica de Urbino, de vidros e de metais.
A decoração a azul, e ocasionalmente com contornos a manganés púrpura, sob um vidrado irregular, inspira-se na porcelana chinesa, nas majólicas, na faiança de Iznik (Turquia) e em temas figurativos, nomeadamente os quatro evangelistas.
Na maioria das peças as bases ostentam a marca que representa a cúpula da catedral de Florença e a inicial F (Firenze ou Francesco). Exceptua-se um jarro e um prato com as iniciais FMMDE II (Franciscus Maria (ou Médicis) Magnus Dux Etruriae II) sobre as armas dos Médicis, e um frasco com a palavra “Prova” (prova, tentativa, experiência).
O gomil do MNAA, que constava do inventário do Grão Duque Ferdinando I, datado de 1589, é uma forma harmoniosa com bico e asa em forma de dragão e decoração renascentista com alguns toques islâmicos.
A bacia, inspirada numa peça de faiança, apresenta decoração também renascentista e a figura do evangelista S. João copiada de uma gravura de Aldegrever, segundo desenho de G. Pencz, cuja sigla está sobre o livro.
Actualizado em:
6 de Maio de 2009
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